Trocando a dívida pública e o FMI por miúdos

 

Muita tinta tem corrido a respeito da eventual intervenção do FMI no país. Eu, convencido que estou de que esta, quando acontecer, só vai pecar por ser tardia, arrisco-me a aventar uma simplificação sob a forma de analogia. Corrija-me, por favor, algum economista que por aqui passe.

 

Imagine o caro leitor ou a cara leitora que tem uma empresa. Por alguma razão, a empresa encontra-se com problemas de produtividade e de liquidez. Como qualquer empresário, a sua principal preocupação em termos de despesas prende-se com o pagamento de salários e de despesas de funcionamento da infraestrutura. Além do mais, já contraiu diversos empréstimos. Contudo, para garantir que a empresa continue a funcionar, necessita de mais financiamento. Tem duas alternativas:

 

a) ignorando os problemas de produtividade, apenas para garantir o pagamento de despesas de funcionamento, todas as semanas tenta obter um pequeno empréstimo junto do banco, que o concede ou rejeita consoante a avaliação do risco dos mesmos. À medida que as semanas passam, enquanto não chega a uma altura em que o risco se torna demasiado elevado para o banco lhe conceder qualquer empréstimo, os juros vão-se tornando cada vez mais elevados de empréstimo para empréstimo.

 

b) procurando minorar a questão da produtividade, elabora em conjunto com o banco um plano de reestruturação da empresa, tendo em vista adaptar-se às diversas variáveis e condicionantes de mercado, diminuir despesas superflúas e aumentar a produtividade e, consequentemente, as receitas e a liquidez. Para suportar este plano e garantir as despesas de funcionamento até o mesmo ter efeitos práticos, o banco concede-lhe um empréstimo bastante mais significativo do que os da hipótese anterior, permitindo-lhe ter uma liquidez mais elevada e a médio-longo prazo, a uma taxa de juro menor do que na hipótese anterior.

 

Qual das duas prefere?

Samuel de Paiva Pires às 22:58 | link do post | comentar